DE NOVO? É DE COÇAR A BARBA. MAS QUER SABER: É BOM!

Novamente os do mundo chegam com mesmo discurso de sempre: “a Igreja fez isso!”. “O papa fez aquilo!” Já deixou de ser ódio para se tornar vício. As pessoas estão mentalmente viciadas em falar mal da Igreja, do papa, dos Padres e dos fundadores. Até aí não tem problema. O próprio Jesus disse que seria assim. O mundo não nos odeia primeiro. Antes, odeia a Jesus.

Porém, o que me faz coçar a barba são os ditos e benditos cristãos ficarem em dúvida após escutarem a mocinha bonitinha da emissora pagã falando mal de nossa Fé Católica. Isso deve doer no já chagado coração de Jesus. De novo a mesma ladainha. Um povo que não quer deixar uma vida de pecado faz de tudo para se justificar atacando a Igreja, ao Papa e a nós, leigos.

Mas quer saber: é bom. O próprio mundo está separando o joio do trigo. Deus não está fazendo força alguma. A “auto-separação” já está acontecendo. E dentro da Igreja. Os de pensamento do mundo estão se confrontando com os de “pensamento de Cristo”.

E mais uma vez o mundo vai se levantar com a mesma ferida de morte. E isso é bom, apesar de certos flagelos e perseguições. É bom que se discuta aborto, casamento de pessoas do mesmo sexo, “descrucificação” das repartições públicas, padres pedófilos. Só assim os filhos da luz poderão se manifestar. Aquilo que é crime deve ser punido. E o que é Glória de Deus deve brilhar nos fiéis. A Glória não é nossa. É de Deus. E esta Glória não será esvaziada pela multidão dos perseguidores. O número de cristão daqui a pouco nem mais importará. O que vai “contar ponto” é a fidelidade dos que insistem em permanecer com Deus até o fim.

O Senhor chamou a todos, mas, salvou a muitos. Nem todos quiseram seguir ao Mestre. E, ao que tudo indica estes pequenos focos de cristãos que crêem na Salvação já passam pelas perseguições dos “últimos dias”. Um prólogo da abertura dos selos do livro da vida.

As taças se derramam e os sangues dos mártires nos serão vias de fidelidade. Louvemos pelas perseguições em casa, no trabalho, na própria Igreja. A Fidelidade deve ser comprovada.

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JUNÍPERO: O CHAMADO DA SOMBRA

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JUNÍPERO
O chamado da sombra

Ah! se eu tivesse uma plantação de juníperos… talvez, sentir-me-ia bem mais seguro. Ou, ao menos, aliviado. Nunca o tempo presente foi tão necessário para colóquios com Deus, para oração pessoal.

Quando é que, em minha vida, eu pude imaginar que precisaria de uma arvorezinha para chorar e de uma sombra onde eu pudesse falar de mim? O Senhor está levando seus filhos para a sombra de Seu amor. Único lugar onde eu posso falar, chorar, reclamar… e também consolar minha alma, tranqüilizar meu coração, domar a minha mente…

O ser humano estacionou em si mesmo e abismou a própria vida nos sonhos e projetos pessoais - que não ouvem o convite da sombra do junípero. Aliás, alguns de nós nem sabe o que é um junípero, quanto mais se ele faz ou não sombra.

Os juníperos mudam, mas a sombra sempre será a mesma. A mesma Sombra que abraçou Maria e que encobriu a terra no momento da morte de Jesus.

Há muito tempo, um “amigo” chamado Elias* encontrou o seu junípero para encontrar a sombra do Altíssimo. Ele se sentou à sombra da arvorezinha. Ali ele chorou, lamentou-se, mostrou suas dores, sua falta de sorriso, sua tristeza mais profunda. E ali pediu para morrer. E pedir para morrer, é chegar ao limite de tudo. Limite das frustrações, das perdas. É chegar ao máximo, é constatar que está pesado demais.

A coragem de Elias, muitas vezes não é a minha coragem. Sou um bom católico, um excelente cristão mas sou medroso para a fraqueza. A minha coragem não admite mostrar minhas falhas, minhas misérias, minha pequenez, minha insatisfação. Eu sei muito bem reclamar do meu casamento para a amiga do escritório. Sei falar mal das pessoas para meu padre. Sei acusar meus filhos e meus pais. Mas não sei me enfraquecer diante de Deus.

Se alguém perguntasse o porquê destes tempos serem tão sofridos para os cristãos, acho que Deus responderia: “É porque estou chamando meus filhos para Minha Sombra. Às vezes, o limite é o único caminho para meus filhos chegarem até Mim”.

É perturbador saber que é na “Sombra do Senhor” que eu me revelo totalmente. Se Elias vivesse em nosso tempo, certamente estaria em um junípero chamado confessionário.

Passamos a vida por vários juníperos: o da dor da morte de alguém, o da solidão, o da tristeza e da depressão, da derrota, o da mágoa com meu pai e minha mãe, o do fracasso na faculdade, do adultério. Mas em todos eles O Senhor nos convida para falar, para partilhar com Ele nossas dores. Mesmo que seja uma vontade de desistir de tudo e de morrer. Deus quer escutar meus lamentos.

Ah! se a internet nos servisse neste momento como um altar do Santíssimo Sacramento. Sem medo de errar, esta seria nossa sombra mais segura.

Será que após este texto eu ainda não tive a curiosidade de descobrir o que é um junípero?

* I Reis 19, 4-8

                     

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ANSIEDADE E PACHORRA

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ANSIEDADE E PACHORRA
As duas pontas de um mesmo problema

Dividir a vida com outras pessoas é um dos maiores desafios em nossos tempos. Há quem diga que passar no vestibular é uma vitória. Ainda acho que conviver com outras pessoas é milagre maior. As relações humanas andam cada vez mais estremecidas. A prova são os casamentos que nem bem começaram, já deixam marcas de finalização.

O desequilíbrio parece tomar conta das pessoas. Os temperamentos são semelhantes a bombas prestes a explodir. E com isso vamos, paulatinamente, tornando-nos escravos da pior cadeia que existe: nós mesmos. Quando fracasso nas relações com as pessoas sou um ser humano fracassado.

Mas também pudera, não é fácil conviver com extremistas. O afobamento e a lentidão são dois extremos de um indivíduo desequilibrado. Longe de querer diagnosticar uma patologia, mas, de fato, conviver com ansiosos ou com “demorados” não é tão gostoso.

Ansiosos não sabem esperar o resultado do “cara ou coroa” e os demorados são surpreendidos pelo ladrão que roubou a moeda, de tanto que eles demoraram a tomar suas decisões.

A ansiedade é um desequilíbrio de quem não sabe esperar e a pachorra um mal de quem não tem diligência. Se o apressado queima a boca com a sopa, o lerdo toma a sopa gelada. E nós sabemos que, quando não há um bom equilíbrio um dos lados sempre sai mais pesado.

Pode-se dizer que o cansaço da esposa é resultado do excesso de futebol na televisão. Sim, claro. Estou tão distraído com o jogo que não percebo que alguém está limpando a pia sozinha. Ah! Mas esta é a “função da mulher”. Então a do homem é ficar sentado descansando. E há quem diga que não existe machismo.

Lembra da menininha, caixa do hipermercado central que leva “hoooras” para passar suas compras? E ainda por cima quando te chama grita pelo seu nome de cliente especial: “próximoooo”.A ansiedade parece que nasce na fila de mercado. Tudo porque tem alguém lento para te atender. E você e eu gastamos todo nosso salário no divã de um psicanalista para, depois de três a seis anos de terapia, descobrir que a cura está nas palavras que não passam: paciência. O dom que salva os ansiosos é o dom da paciência.

Por outro lado, como mostrar a verdade para os lerdos se eles não percebem, muitas vezes, o mal que causam. É horrível se relacionar com uma pessoa que deixa tudo para a última hora. Estas criaturas nunca chegam na hora certa em festas, recepções, missas. E o pior: atrasam os demais. Falta de caridade e pecado: “não roubarás o tempo do seu irmão”. O dom que salvará aqueles que naturalmente não tem a diligência é o dom da observância. Aprender a olhar que o mundo não é seu. É do outro também. Os demorados costumam carregar um fardo chamado “egoísmo”. Se para eles está bom então está para todo mundo. Haja vista que aqueles que levam duas horas para tomarem banho fazem com que os demais membros da família tomem um banho reduzido.

Que choque. Não se trata somente da questão do temperamento mas, de conversão que gera equilíbrio. Ninguém muda por si só. Acreditar nisso é tomar consciência de que está preso em si mesmo.

A pior cadeia é tornar-me refém de mim mesmo. Das minhas idéias. Das minhas vontades. Às vezes, eu me resfrio por causa do frio. Às vezes a gripe me pega porque minha displicência (característica mais acentuada dos lerdos) não me deixou colocar uma blusa mais quente. E muitas vezes eu fico doente devido a minha pachorra, lentidão em perceber que tem mais gente resfriada ao meu redor.

Seria, para os lerdos, esta Palavra: “Estai alerta para que ninguém deixe passar a graça de Deus, e para que não desponte nenhuma planta amarga, capaz de estragar e contaminar a massa inteira…” (Hb. 12,15) e para os ansiosos esta aqui: “Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt. 6,34 ).

E para nós todos se encaixam as Palavras eternas dizem: “Para tudo há um tempo, para cada coisa há um momento debaixo dos céus”. (Ecle. 3,1).

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Cansa servir a Deus.

cansado1Não somos anjos. Por mais que algumas canções insistam em afirmar isso. E a Obra que O Senhor faz em cada um não acontece somente em plano espiritual. Ela se desenrola na história humana atingido nossa humanidade por completo. Ainda mais aquele ou aquela que procura servir verdadeiramente ao Senhor.

Todo filho de Deus carrega em si um pouco de Santo Antão, o Santo de Deserto. Chamado o pai de todos os monges,  Antão foimarcado em sua vida por um profundo desejo de amar e servir a Deus abdicando-se de coisas que seriam coumuns, desejos e vontades “normais” para viver uma vida de total subserviência.

Contudo, duas características marcam a vida e a história deste grande homem de Deus: ascese e combate. Santo Antão, em certo momento de sua vida, gastava-se muito em combates ferrenhos paradefender a sua fé.

Conta-se que, todas as tardes um leão feroz aproxima-se do acampamento do Santo para provar-lhe a fé. Voraz, queria matar Antão e servir-se de sua carne. O leão não era bobo. Sabia a qualidade da carne de um santo. E o Santo lutava bravamente para desender sua própria vida e seu o local aonde morava.

Em uma bela tarde, após violento combate com o leão, o Antão resolveu que estava muito cansado da mesma luta. O leão não mudava. E fora rezar. Reclamou. Sem medo de Seu Deus perguntou o porque destas lutas tão massantes e desgastantes. Porque sempre a mesma coisa. E pediu para que O Senhor afastasse este combate.

Deus, em Sua imensa bondade e misericórdia concordou com o pobre filho cansado. Viu que realmente Antão tinha razão. Ele estava machucado, ferido profundamente. Generosamente, Deus responde ao Santo: “Ver-te lutar me é tão prazeroso e causa-me tanta felicidade que Eu colocaria eternamante leões em tua vida, só para olhar-te vencendo por amor a Mim”.

“Por amor a Mim”. Que frase fortíssima. Que segredo revelado. Que vitamina para os coprpos cansados de Deus e da Igreja. Que recomposição para aqueles que largaram as monótonas lutas pela felicidade de seus casamentos e de suas famílias. Que novo vigor para os que se cansaram de suas vocações. Que lucro para carismáticos esgotados.

O tempo em que vivêmos é um tempo de excessivo cansaço. Um tempo que se traduz como ranhura, machucado, ferida. E é natural que cheguemos ao “final da tarde” estafados e gritemos ao Senhor: “Chega! Cansei. Fiz tudo o que podia. Preciso parar um pouco”.

Mas a obra não é nossa.A desistência não é opção para quem descobriu que a Graça suplanta tudo. Desistir é o caminho errante. Quando alguém “larga tudo” é porque nunca agarrou a obra como vontade de Deus. Quando alguém “sai” da caminhada na verdade nunca entrou. Aquele que sabe que a obra é do Senhor cansa, estafa, pode até deprimir-se mas vai até o fim.

Mas, “se com tua boca confessares que Jesus é O Senhor” (Rom. 10,9)  e que não há discípulo maior que o Mestre, compreenderemos aquilo que fora revelado a Santo Antão. Que “seja qual for o grau em que chegamos, o que importa é prosseguir decididamente” (Filp. 3,16).

Ou decido desistir ou decido continuar. Uma é decisão humana. A outra, é do Espírito.

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Da Orelha aos filhinhos

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O caminho não parece ser o mais simples. O conflito entre ” quero” e ” não consigo” é devastador. Não é de uma hora para a outra que se alcança a misericórdia. Tanto é que esta palavra está em extinção em muitos seguimentos religiosos e completamente eliminada da linguagem do mundo. Muito se fala de tolerância, de convivência sustentável, de respeito. Mas tudo isso não faz a misericórdia aparecer.
 
Para se extrair a misericórdia é necessário uma cirurgia de parto. É um verdadeiro nascimento. Rompem-se tecidos, vasos. Acontece uma ruptura para a misericórdia possa nascer e se desenvolver. A misericórdia tem maios grau de exigência do que o perdão. ENquanto o perdão é uma atitude de quem ama, a misericórdia é a visão crua e desnudada da miseria que eu sou e que o outro é.
 
Naquele momento histórico de dramático do horto das oliveiras, quando Pedro decepou violentamente a orelha de um dos guardas, malco, a sua reação impulsiva denunciou o quanto ele tinha dentro de si. E como, mesmo convivendo com Jesus, é dificil colocar em prática tudo aquilo que o Mestre ensinara. Mas ele aprendeu. Alguns anos mais tarde, em sua carta, Pedro inicia lindas e celebres frases chamando os pecadore de ” filhinhos”.
 
Seria esta a reação de quem conheceu a misericórdia? Porque Pedro não descobriu isto com o Mestre ainda em “vida”? Porque esperou um tempo? Porque a demora? Porque a misericórdia é um processo de maturãção. Ela nasce, porém, deve ser aprendida, estudada e, antes de tudo, vivida, na carne.
 
Enquanto não ferir, não violentar, não decepcionar, não frustrar, não é misericórdia. Ainda é o ensaio.
 
Às vezes não dá tempo de execer a misericória com aqueles que mais amamos. Nossos pais, amigos, amores, morrem sem ter ao menos conhecido a misericórdia em nós. ESte é um mistério que não devemos ousar querer entender. Mas esta não é uma boa desculpa para não viver e exercer a misericórdia neste mundo.
 
E misericórdia não quer dizer ausência de justiça. Mas quer dizer ausência de justiça pelas próprias mãos. Como explicamos isso para um pai que teve sua filha vítima de estupro? Como falar isto para uma mãe que perdeu sua filha, vítima de um erro médico? Complicado. Difícil. Impossível dentro do contexto humano. Só a misericórdia tira a cortina dos olhos.
 
O curioso foi a reação de Jesus no episódio da orelha. ALém de discordar de Pedro, O Mestre ainda sarou o algóz diante dos olhares do Apóstolo. Que afronta, meu Deus. Que loucura esta defesa de um pilantra, de um ordinário, de um maconheiro, de uma prostituta.
 
Imagine o sentimento de Pedro diante de tamanha ” injustiça”  do Mestre. Pedro deve ter se revoltado interiormente. Como nós, Pedro deve ter ficado bravo com a justiça por ter liberado alguém que o prejudicou. Contudo, lã na frente, o memso Pedro age igualzinho ao Seu Mestre. Teria relação entre aquilo que não entendemos na hora com a Graça que se manifestará em nós e atravs de nós? Acho que sim. “Não entender” é uma benção. É um ministério que está nascendo em cada um de nós.
 
A misericórdia sempre vai confundir nossa humanidade. Ela não é “normal”. Ela é “estranha” ás normalidades da carne.
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A misericórdia é o Caminho para se trilhar; é a Verdade de se viver; é a Vida no Senhor. E não tem outro jeito de alcança-la senão pela amizade com o Mestre.
Mestre é um excelente professor. Professor lembra escola. Misericórdia é o diploma que ganho na faculdade da vida. Uma hora ou outra todos apelarão para a misericórdia. Ou serão julgados sem ela como testenha de defesa.

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